sábado, 18 de setembro de 2010

FAROL DE PENSACOLA - E. U. A.

Localização - entrada da baía de Pensacola, Florida, Estados unidos da América
Gestão - E. S. Pensacola Naval Air Station
Função - costeiro
Ano de estabelecimento - primeira torre 1824; torre actual 1859
Estrutura - torre cilíndrica em tijolo com a parte inferior em branco e a superior em preto, lanterna em preto e edifício anexo
Altura da torre - 46 metros
Altitude - 59 metros
Alcance luminoso - 27 milhas
Luz - branca
Característica - F W 20s


Curiosidades: diz-se que está assombrado


Fotografia: Allan Culley (Lighthouse Depot)

FAROL DE SANTA CLARA

Localização - a W do porto de Ponta Delgada, Ilha da São Miguel, Açores, Portugal
Gestão - Direcção de Faróis - Marinha Portuguesa
Função - costeiro
Posição - latitude 37º 43,94`N
            longitude 25º 41,18`W
Ano de estabelecimento - 1945
Estrutura - lanterna vermelha sobre estrutura
Altura da torre - 8 metros
Altitude - 27 metros
Alcance luminoso - 15 milhas
Luz - branca
Característica - LFI W 5s     (Lt 2s; Ec 3s)
Nº nacional - 717
Nº internacional - D-2654



NAUFRÁGIOS NA COSTA NEGRA

Mares bravos, ventanias, nevoeiros, temporais... 
Este é o cenário real costa nortenha portuguesa. Muitos navios encalharam e muitas vidas se perderam.
Pelo menos de dez em dez anos, um grande desastre marítimo assola a região.
Em 1927, ao acender-se em Leça da Palmeira o último farol construído no continente português, a costa nortenha tinha já uma longa história de naufrágios. A "Costa Negra" ou "Costa Muda" inspirava um respeitoso temor por todos os viajantes.

Em 1852, o vapor "Porto" encalhava na Pedra da Forcada, junto à Barra do Douro. De entre passageiros e tripulação, 66 perderam a vida. A rainha D. Maria II, dirigiu-se ao Porto para apresentar condolências aos familiares e o relato deste naufrágio foi falado durante muito tempo pelo povo e nos meios sociais da época.

Em 1872, no dia 25 de Agosto, naufraga o vapor espanhol "Perseverança". Quase todos os passageiros e tripulação desapareceram nas águas.

Na Póvoa de Varzim, a 27 de Fevereiro de 1892, deu-se mais uma tragédia marítima. 94 pescadores viram-se arrastados pelas ondas quando as suas lanchas tentavam passar a barra. Também naquele local fazia falta uma luz para guiar as embarcações. A torre de ferro do Farolim de Regufe já existia à seis anos, mas só após este incidente, em Março, a luz se acendeu.



A edificação do Farol de Leça teve como causa o naufrágio do paquete inglês "Veronese", na madrugada de 16 de Janeiro de 1913, em frente à ermida da Boa Nova. Cerca de seis anos depois, acendia-se ali um farolim que funcionou até à criação do actual farol da Boa Nova ou de Leça, e o do qual resta apenas as ruínas da torre junto à ermida.

Ruínas do antigo farolim de Leça (Boa Nova) - Leça da Palmeira, Matosinhos, Porto
Fotografia: Teresa Reis©

Na tragédia do "Veronese", morreram 38 pessoas, algumas afogadas nos porões e camarotes e salvaram-se 202. Durante três dias, o navio embateu violentamente de encontro aos rochedos batidos pelas altas vagas de um mar de Inverno frio e rigoroso. Um  nevoeiro cerrado envolvia o paquete que apitava implorando socorro. 
A população de Matosinhos e Leça depressa acudiu ao chamamento, juntamente com os Bombeiros de Leça da Palmeira, comandados pelo coronel Laura Moreira. O apoio também foi dado pelas equipas salva-vidas de Leixões, comandadas por José Rabumba, Francisco Gomes Cardia e "Patrão Lagoa", de Póvoa de Varzim. Também o capitão-de-fragata Alfred Howell mereceu reconhecimento pelos seus actos heróicos.

A 13 de Dezembro de 1914 naufraga na praia de Anjeiras, exactamente no mesmo sítio onde na véspera encalhara o vapor inglês "Silurian", o navio-motor Bogore. 33 dos 38 tripulantes perdem a vida. 

1 de Janeiro de 1915: o vapor norueguês "Jamaica" perde 14 tripulantes ao tentar entrar no porto de Leixões debaixo de mau tempo.


A 3 de Fevereiro de 1929, o vapor alemão "Dieister" tenta entrar na barra do Douro e perde os seus 24 tripulantes.

A 11 de Maio de 1932: o navio belga "Gauss" naufraga em frente do Cabedelo, salvando tripulação e carga. No entanto, nos barcos salva-vidas que haviam partido em seu socorro, 6 marinheiros perdem a vida e 12 ficam feridos.




Fonte: 
"Faróis de Portugal" - João Francisco Vilhena
                              Maria Regina Louro
                              Editora Gradiva, 1995


          

BIBLIOTECA - "Lighthouses of New England"


"Lighthouses of New England"
Autor: Jon Marcus

Além de uma história emocionante, é simultaneamente um guia turístico dos faróis de Maine, New Hampshire, Vermont, Massachusetts, Rhode Island, Connecticut e Long Island. Nele o autor, explica a evolução técnica dos faróis, o desenvolvimento de luzes e lentes, a sua arquitectura e construção em locais remotos, a vida dos faroleiros de serviço, e o movimento para preservar e restaurar as luzes. Contém excertos das folhas de serviço diário dos faroleiros.

À venda na "Lighthouse Depot".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

BUGIO E O VELHO FAROLEIRO - poema do Faroleiro Chefe Neto

Quantos por aqui passaram
Que aos mais novos transmitiram
Sobre as pedras que ficaram
Contaram tudo o que ouviram
Eu ouvi sou mensageiro
Sou um velho faroleiro
Zelei por esta nobreza
O pai é S. Lourenço
A mãe D. Fortaleza
O filho com luz rodando
Num movimento constante
E toda a noite vai zelando
P`lo rumo do navegante

Oh meu Bugio
És das maiores sentinelas
Estás onde acaba o rio
E começa o mar tão frio
Mar das Naus e Caravelas
A costa desta Lisboa
De noite visto daqui
De Cascais até Belém
Do Espichel à Trafaria
Que maravilhas eu vi.
Vi auroras boreais
Vi trombas de água subindo
Vi os grandes temporais
Selvagens mas era lindo.

Oh meu Bugio
És das maiores sentinelas
Estás onde acaba o rio
E começa o mar tão frio
Mar das Naus e Caravelas
oh meu menino...
Como vês já `stou velhinho
Com pena vou te deixar
Tu ficas p`ra indicar
Que é por aqui o caminho
Oh meu menino...Que saudade...
Que saudade meu menino...
Oh meu menino

Fonte: Revista de Marinha, Abril 2003
Poema: Faroleiro Chefe Neto




Farol do Bugio - ao largo de Oeiras, Lisboa, Portugal
Fotografia: Teresa Reis©



FAROLEIRO

"Aquele que tem a missão de vigiar ou cuidar de um farol. Indivíduo empregado no serviço dos faróis.
Cumpre aos faroleiros dar execução às prescrições do Regulamento Orgânico para o Serviço dos Faróis: fazer o "serviço de quartos", vigias e serviço de dia; fazer e manter a limpeza de todos os aparelhos e maquinismos, ferramentas, etc.; proceder à pintura e caiação dos edifícios do farol e anexos; conservar e arranjar os terrenos em volta do farol e sua serventia.
Os faroleiros estão organizados em quadros, havendo um para o Continente, outro para os Açores e outro para a Madeira.
Cada quadro compreende um certo número de faroleiros-chefes, primeiros faroleiros, segundos faroleiros, terceiros faroleiros e faroleiros supranumerários.
Estão integrados no Quadro Pessoal Militarizado da Marinha (QPMM) - Grupo 6 - Faroleiros e Faroleiros Técnicos. Perspectiva-se a sua transição, a prazo, para um quadro de pessoal civil."



Faroleiro
Farol de Aveiro - Aveiro, Portugal
Fotografia: Teresa Reis©


GRUPO DE PESSOAL / CATEGORIA
Grupo 6 - Faroleiros e Faroleiros Técnicos



* Inspector Chefe
* Inspector
* Sub-Inspector
* Faroleiro - Chefe e Faroleiro Técnico - Chefe
* Faroleiro - Subchefe mor e Faroleiro Técnico - Subchefe mor
* Faroleiro - Subchefe e Faroleiro Técnico - Subchefe
* Faroleiro de 1ª classe e Faroleiro Técnico de 1ª classe
* Faroleiro de 2ª classe
* Faroleiro de 3ª classe
* Faroleiro Auxiliar


Fonte:"Guardiães do Litoral Oeste"
         Carlos Manuel Maximiano Baptista (texto)

         José de Deus (fotos)



LUZES DE ENFIAMENTO - ANTERIOR E POSTERIOR


"É uma assoçiação de duas luzes, anterior e posterior, que definem à navegação a entrada de um porto ou o eixo navegável de um canal ou de um rio. 
Os navios navegando segundo esta linha e até uma certa distância das luzes devem estar livres de todos os perigos.
Os sinais de enfiamento são constituidos por estruturas mais ou menos conspícuas, conforme a distãncia a que devem ser avistados de dia; quando o enfiamento é utilizado também de noite, as estruturas suportam luzes de características inconfundíveis e convenientes. 
A luz que fica mais perto do litoral ou margem dá-se o nome de “Anterior” e à que fica mais distante, “Posterior”. Esta tem de ficar sempre colocada num ponto mais alto que a anterior. 
À luz colocada entre estas duas, dá-se o nome de “Central”."

Fonte: Direcção de Faróis - Marinha Portuguesa

Luzes de Enfiamento
Direcção de Faróis - Marinha Portuguesa
Desenho: Teresa Reis©
Fotografia: Teresa Reis©

Farolins de São Martinho do Porto
Luzes de enfiamento: anterior (ao fundo) e posterior (em primeiro plano)
São Martinho do Porto, Alcobaça
Fotografia: Teresa Reis
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